Raças Autóctones Portuguesas

Galinha Pedrês Portuguesa

As raças autóctones, representam anos e anos de evolução das espécies, munindo-as de um potencial genético que lhes permitiu ao longo dos anos a sua adaptação ao meio ambiente a todas as suas adversidades. Com estas raças, com este património genético, seguramente se irão encontrar respostas para a solução de parte dos problemas resultantes da intensificação dos sistemas de produção. As Galinhas de Raça Autóctone Portuguesa são a Preta Lusitânica, a Amarela e a Pedrês Portuguesa. Estas raças são caracterizadas pela sua elevada rusticidade, pela sua riqueza genética, pela sua invulgar beleza e requinte e pelas suas extraordinárias qualidades organolépticas (AMIBA).

 A AMIBA, é a Associação detentora da gestão do Registo Zootécnico/Livro Genealógico destas raças de galinhas, reconhecidas como raças genuinamente Portuguesas. É uma associação de âmbito nacional de criadores de raças autóctones, que tem como objectivo a preservação, melhoramento a cria e comercialização deste tipo de animais. Estas raças autóctones habitam quase toda a área de Portugal Continental, mas no último século regrediram de forma assustadora em número de efectivo e em área ocupada existindo actualmente menos de duas mil fêmeas exploradas em linha pura, por raça (segundo a lista de raças ameaçadas e grau de risco de extinção, são consideradas raças raras, particularmente ameaçadas). São apoiadas por parte do Estado, estando incluídas num Plano de Melhoramento Animal e os seus criadores podem beneficiar de apoios para a sua criação (medidas agro-ambientais ¬protecção da biodiversidade doméstica). Apesar do reduzido número de exemplares desta espécie, o número de criadores nestes últimos anos tem aumentado significativamente, assim como o número de animais. Relativamente à identificação das aves, esta é feita pela aposição de uma anilha metálica, devidamente numerada na asa direita do animal. Até aos seis meses de idade os animais são inscritos no Livro de Nascimento, a título provisório, depois dessa data poderão ser inscritos no Livro de Adultos caso apresentem as características inerentes ao padrão da raça. Desde o início dos Registos Zootécnicos/Livros Genealógicos das raças, a Amiba procede à identificação e registo dos animais nos respectivos livros das raças, presta apoio técnico e sanitário aos seus criadores, promove exposições e concursos das raças, elabora material de divulgação e efectua a promoção das mesmas.
Fonte: AMIBA, Dra. Susana Lopes, Secretária Técnica do Registo Zootécnico/Livro Genealógico das Raças de Galinhas Pedrês Portuguesa/Preta Lusitânica/Amarela.

Com estes animais começam-se a criar hábitos de consumo cada vez mais exigentes com a qualidade da carne e dos ovos, com o sabor e a tradição dos alimentos. As nossas raças autóctones são história e cultura do nosso povo.

Por querer saber um pouco mais sobre a histórias das nossa raças autóctones, António Damas, um dos homens que à muito se dedica à criação de raças de galinhas em Portugal, passou parte do seu tempo, em sótãos dos mais antigos alfarrabistas de Lisboa, à procura de registos sobre o passado e evolução das nossas raças autóctones. Não pude deixar de pedir ao Sr. António Damas, autorização para partilhar com todos vós este trabalho tão curioso, revelando uma atitude distinta, que valoriza e dá mais sentido ao trabalho de um criador.

Galo Preta Lusitânica

Um dos livros onde foram encontradas referências a raças de galinhas portuguesas tem como autor J. C. Rebelo Frazão, premiado com medalhas de ouro em várias exposições de Avicultura.c“GALINHAS, Suas raças e suas características – Alimentação – Postura – Capoeira – Enfermidades e tratamentos – Conselhos aos Avicultores” , Colecções Agrárias, Biblioteca Agrícola, Rua S. Bento, 279 Lisboa, data ilegível.

Palheirinhas” “São conhecidas entre nós estas elegantes aves que se encontram nas ilhas, principalmente na Ilha da Madeira. São pequeninas, muito elegantes e muito vivas; atrevidas e arrogadas, não hesitando em lutarem com outras aves ou mesmo com animais de maior corpulência. A sua carne é gostosa, e aclimam-se facilmente nas regiões temperadas.”

Portuguesas” “Propositadamente a deixamos para o fim, não por nos merecer menos apreço, mas por as suas características serem bastante vulgares. Reconhece-se pela forma da cabeça pequena, bico fino e aguçado, amarelo ou negro azulado. Enfim é demais conhecida para que a descrevamos. Os defeitos que apresenta na conformação, isto é, peito estreito, coxas magras e defeituosas, deselegância, etc. Provém das más condições em que a obrigam a viver e de má alimentação. A galinha comum é, geralmente, boa poedeira boa mãe, e engorda com facilidade, sendo preferível, à maior parte das aves de lixo com que a substituam. É este o maior elogio que se pode render à galinha portuguesa.

Pelo Médico Veterinário Dr. Mário Marques, do Quadro Técnico da Direcção-Geral dos Serviços Agrícolas, Antigo Adjunto do Director da Estação de Fomento Pecuário de Lisboa e Posto Central de Avicultura, Antigo Assistente da Escola Superior de Medicina Veterinária, “GALINHAS E OVOS, SUA CRIAÇÃO E APROVEITAMENTO”, Colecção Fontes de Riqueza – V, 13ª Edição. Livraria Clássica Editora, A. M. Teixeira & C.ª (Filhos), L.da, Praça dos Restauradores, 17, Lisboa.

“Esta obra acabou de se imprimir em Fevereiro de 1965, nas oficinas da Imprensa Portuguesa, Rua Formosa, 108-116 – Porto” De este autor recolhemos a seguinte informação que passamos a citar: “Infelizmente não temos nenhum agrupamento de galinhas a que possamos atribuir por enquanto a designação de raça. Têm aparecido nas exposições de avicultura, de vez em quando, um ou dois exemplares de galinhas, a que é atribuído um nome de uma raça que é inscrita fora dos regulamentos das exposições. Dentro das raças de galinhas que existem no país, a única que está mais homogénea e mais perto de atingir a designação de raça é a Transmontana. Existe um padrão desta raça que foi estabelecido há já algum tempo, no entanto não o transcrevemos por não concordarmos com ele. A Pedrês Nacional ou também chamada Pedrês Paiã não existe como raça, pois dentro destas galinhas temos aves de todos os tamanhos e feitios. Para a Barbuda Lusitana teremos que dizer o mesmo que para a Pedrês, estando neste caso ainda esta em maior variação. Sabemos que actualmente num organismo oficial se está a trabalhar para um novo exemplar, a que se dá o nome de Amarela do Minho. Esperemos e oxalá que dentro de pouco tempo tenhamos uma nova raça de galinhas nacional.

Neste documentos encontramos referências a várias grupos ou populações de galináceos portuguesas com alguma homogeneidade fenotípica, nomeadamente a Palheirinha, a Portuguesa, Transmontana, Pedrês Nacional ou Pedrês Paiã, Barbuda Lusitana e por ultimo a Amarela do Minho. Não encontramos nestes registos nenhuma caracterização pormenorizada das raças referidas, que nos permita hoje procurar identificar estes animais. Por exemplo na obra de J. C. Rebelo Frazão sobre as galinhas Palheirinha e a raça Portuguesa pouco ou nada se encontra que nos ajude na caracterização fenótipica destas aves, e fica-nos difícil com estes dados procurar saber se ainda existem ou não alguns exemplares das variedades referidas.

Participar num projecto de preservação de uma raça autóctone é algo muito gratificante e é tanto mais gratificante quanto mais sabemos sobre este animais e o trabalho que tem vindo a ser feito no sentido da sua conservação e melhoramento. Preservar uma raça autóctone não é um trabalho que se possa fazer sozinho, temos que aprender com as experiências de todos, as coisas boas e as coisas más, é fundamental partilhar experiências e conhecimentos que se complementem, temos também que perceber que contributo podemos dar e de que forma, para um projecto desta natureza.

 

 
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